A alga Ascophyllum nodosum é uma alga marrom encontrada em abundância no Atlântico Norte, cultivada e comercializada no litoral da Nova Escócia. Ela é utilizada como fertilizante na agricultura no Canadá, França e Inglaterra desde o início do século XIX.
No começo, sua aplicação era feita de forma natural como fonte de matéria orgânica, mas com o tempo notou-se muitas respostas positivas no crescimento e desenvolvimento das plantas. Isso despertou grande interesse pelo uso e pesquisas para entender seus efeitos.
Hoje, Ascophyllum nodosum é considerada a alga mais estudada no mundo devido à sua importância agrícola.
Efeitos Comprovados na Agricultura

Vários estudos demonstram o potencial do extrato de Ascophyllum nodosum para incrementar o desenvolvimento vegetal, elevando a produtividade e a tolerância a estresses bióticos e abióticos.
Mesmo em concentrações reduzidas, produtos à base dessa alga afetam positivamente o crescimento vegetal, indicando que os derivados dos extratos contêm compostos bioativos (KHAN et al., 2009).
Composição Rica em Compostos Bioativos
Os extratos de Ascophyllum nodosum apresentam citocininas, auxinas, ácido abscísico, giberelinas, betaínas, alginatos, antioxidantes como polifenóis, pigmentos, vitaminas, aminoácidos, carboidratos e carbono orgânico.
Há ainda compostos vegetais não identificados com ação semelhante à de certos hormônios, capazes de estimular a produção das plantas (CRAIGIE, et al., 2007; KHAN et al., 2009 e 2011; SHARMA et al., 2012; MACKINNON et al., 2010; RIOX et al., 2007; TARAKHOVSKAY et al., 2007; DURAND et al., 2003; STIRK et al., 2004).
Ação Bioestimulante e Resistência a Estresses

Reconhecida pela ação bioestimulante, enraizadora e bioprotetora, a alga Ascophyllum nodosum aumenta a tolerância das plantas a estresses bióticos e abióticos, como pragas, doenças e salinidade (DOURADO NETO, et al., 2014).
A ação enraizadora e bioestimulante favorece o fluxo de água e nutrientes, impulsionando o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, resultando em maior produtividade na colheita.
Além disso, a Ascophyllum nodosum auxilia as plantas em situações de estresse, funcionando como agente antiestressante graças ao papel antioxidante que fortalece os mecanismos de defesa enzimáticos e não enzimáticos.
Isso aumenta a tolerância a condições adversas e melhora a capacidade de recuperação após períodos de estresse, permitindo manter ou elevar a produção mesmo em cenários desfavoráveis (ERVIN et al, 2004; NAIR et al., 2011).
Proteção em Condições Adversas
A aplicação do extrato de algas protege as plantas em situações de estresse hídrico, térmico e salino, devido à presença de polifenóis, pigmentos, vitaminas e betaínas (que ajudam na retenção de água dentro das células).
A composição inclui também manitol (rico em algas marrons), atuante na regulação osmótica, e alginatos, polissacarídeos que formam soluções viscosas capazes de reduzir a perda de água em altas temperaturas.
Melhoria na Germinação e Emergência

Muitos autores relatam que o uso de Ascophyllum nodosum favorece a germinação e promove emergência mais uniforme a campo, independentemente da giberelina, estimulando a síntese de enzimas como as amilases.
Essas enzimas convertem o amido em açúcares simples, liberando a energia armazenada no endosperma para o desenvolvimento do embrião, aumentando o potencial germinativo (RAYORATH et al., 2008).
Exemplos de Resultados em Diferentes Culturas
O uso do extrato de Ascophyllum nodosum em soja estimula o crescimento do sistema radicular, aumenta a absorção de nutrientes e melhora a resistência a condições adversas. Em pesquisa de Ferrazza e Simonetti (2010), com tratamento de sementes (2 mL Kg-1), observou-se incremento de 9% na massa de grãos e de 10% na produtividade.
Em trigo, o extrato de algas elevou o número de espigas por área, resultando em maior produtividade (IGNA et MARCHIORO, 2010).
Respostas positivas também foram registradas em plantas de propagação assexuada, aumentando quantidade e qualidade de mudas, sugerindo potencial em frutíferas, ornamentais e hortaliças. Em estudo de Losi (2010) com Ascophyllum nodosum em mudas de Eucalyptus sp, houve incremento no comprimento de raízes e fitomassa radicular.
Benefícios em Cana-de-Açúcar, Couve-manteiga e Milho

Na cana-de-açúcar, diferentes doses de extrato de Ascophyllum nodosum resultaram em maior desenvolvimento de planta (GREGO, 2022) e aumento de colmo (CHEN et al., 2021).
Em couve-manteiga, o uso de Ascophyllum nodosum beneficiou o desenvolvimento inicial e a produtividade, ampliando o número de folhas e a massa seca da parte aérea (SILVA et al., 2012).
Na cultura do milho, estudos de Souza et al. (2023) mostraram que a aplicação foliar de bioestimulante à base de extratos de algas da espécie Ascophyllum nodosum no estádio V4, em diferentes doses, gerou incremento em produtividade, diâmetro de colmo, altura de planta, comprimento de raiz, comprimento e largura de folhas, além de peso de mil grãos.
Resultados em Frutos Cítricos e Sistema Imunológico
Em frutos cítricos, a aplicação do extrato de Ascophyllum nodosum em tangerinas jovens aumentou em 30% a produção de frutos, além de elevar o teor de açúcar e reduzir a acidez do suco de laranja ‘Navelina’ e das tangerinas ‘Satsuma’ e ‘Clementina’ (FORNES et al., 1995).
Os extratos de Ascophyllum nodosum podem estimular o sistema imunológico das plantas, tornando-as mais resistentes a infecções e colonizações, por meio da atuação nas vias de sinalização química e promoção de microrganismos benéficos no solo.
Subramanian et al. (2011) notaram redução de sintomas de doenças causadas por Pseudomonas syringae (pv. tomato DC3000) e Sclerotinia sclerotiorum em Arabidopsis thaliana.
Conclusões
Como visto, são muitos os benefícios que a alga Ascophyllum nodosum pode oferecer na agricultura, com demanda crescente em razão dos resultados positivos.
Pensando em tudo isso, nós da Terceirize Agro dispomos em nosso portfólio de produtos que contêm Ascophyllum nodosum de forma isolada ou associada a nutrientes, além de diversas estratégias para que você possa aproveitar todas essas vantagens nos seus produtos de marca própria.
Dessa forma, você leva o que há de mais tecnológico e eficiente aos seus clientes.
Fonte:
CHEN, Diwen; ZHOU, Wenling; YANG, Jin; AO, Junhua; HUANG, Ying; SHEN, Dachun; JIANG, Yong; HUANG, Zhenrui; SHEN, Hong. Effects of Seaweed Extracts on the Growth, Physiological Activity, Cane Yield and Sucrose Content of Sugarcane in China. Frontiers In Plant Science, [S.L.], v. 12, n. 12, p. 1-13, 26 maio de 2021. Frontiers Media SA. http://dx.doi.org/10.3389/fpls.2021.659130.
CRAIGIE, J. S.; MACKINNON, S. L.; WALTER, J. A. Liquid seaweed extracts identified using 1H NMR profiles. Journal of Apllied Phycology, Heidelberg, v. 20, p. 665-671, 2007.
DOURADO NETO, D., DARIO, G. J. A., BARBIERI, A. P. P., & MARTIN, T. N. Ação de bioestimulante no desempenho agronômico de milho e feijão. Bioscience Journal. V. 30, p. 371-379, 2014.
DURAND, N.; BRIANT, X.; MEYER, C. The effect of marine bioactive substances (NPRO) and exogenous cytokinins on nitrate reductase activity in Arabidopsis thaliana. Physiologia Plantarum, Malden, v. 119, p. 489–493, 2003.
ERVIN, E. H.; ZHANG, X.; FIKE, J. H. Ultraviolet-b radiation damage on Kentuchy bluegrass II: Hormone supplement effects. HortScience, Alexandria, v. 39, p. 1471-1474, 2004.
FERRAZZA, D. SIMONETTI, A.P.M.M. Uso de extrato de algas no tratamento de semente e aplicação foliar, na cultura da soja. Cultivando o Saber, Cascavel, v. 3, n. 2, p. 48-57, 2010.
FONTES NETO, D. T. Extrato de Ascophyllum nodosum (L) Le Jolis sob diferentes doses na cultura da soja. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade Estadual do Norte do Paraná, Centro de Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Agronomia – Bandeirantes -PR, 50 p. 2017.
GREGO, R. D. Aplicação de diferentes doses de Ascophyllum nodosum na cana-de-açúcar. Trabalho de Conclusão de Curso em agronomia. Faculdades Integradas de Bauru – FIB. Bauru-SP. 12 p. 2022.
IGNA, R. D.; MARCHIORO, V. S. Manejo de Ascophyllum nodosum na cultura do trigo. Cultivando o saber. Cascavel-PR, V.3, n. 1, p. 64-71, 2010.
KHAN, W.; HILTZ, D.; CRITCHLEY, A.; PRITIVIRAJ, B. Bioassay to detect Ascophyllum nodosum extract-induced cytokinin-like activity in Arabidopsis thaliana. Journal of Applied Phycology. Heidelberg, v. 23, p. 409-414, 2011.
KHAN W., RAYIRATH U. P., SUBRAMANIAN S., JITHESH M. N., RAYORATH P., HODGES D. M., et al. Seaweed extracts as biostimulants of plant growth and development. Journal of Plant Growth Regulation. New York, v. 28, p. 386-399, 2009.
LOSI, L.C. Uso de Ascophyllum nodosum para o enraizamento de microestacas de eucalipto. 2010. 76 p. (Mestrado em Irrigação e Drenagem) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Botucatu, 2010.
MACKINNON, SL; HILTZ, D; UGARTE, R; CRAFT, C. A.Improved methods of analysis for betaines in Ascophyllum nodosum and its commercial seaweed extracts. Journal of Applied Phycology. Heidelberg, v. 22, p. 489-494, 2010.
RAYORATH, P.; JITHESH, M. N.; FARID, A.; KHAN, W.; PALANISAMY, R.; HANKINS, S. D.; CRITCHLEY, A.T.; PRITHIVIRAJ, B. Rapid biossays to evaluate the plant growth promoting activity of Ascophyllum nodosum, Le Jol. Using a model plant, Arabdopsis thaliana. Journal of Applied Phycology, Dordrecht, v. 20, p. 423-429, 2008.
RIOX, L. E.; TURGEON, S. L.; BEAULIEU, M. Characterization of polysaccharides extracted from brown seaweeds. Carbohydrate Polymers, London, v. 69, p. 530-537, 2007.
SHARMA, S.H.S., LYONS, G., MCROBERTS, C. et al. Biostimulant activity of brown seaweed species from Strangford Lough: compositional analyses of polysaccharides and bioassay of extracts using mung bean (Vigno mungo L.) and pak choi (Brassica rapa chinensis L.). Journal of Applied Plycology, Heidelberg, v. 24, p. 1081–1091, 2012.
SILVA, C.P.; GARCIA, K.G.V.; ROSEANO, M.S.; OLIVEIRA, L.A.A.; TOSTA, M.S. Desenvolvimento inicial de mudas de couve-folha em função do uso de extrato de alga (Ascophyllum nodosum). Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, Mossoró, v. 6, n. 1, p. 7-11, 2012.
SOUZA, L. P.; JÚNIOR, K. S. F.; RIBEIRO, V. M. BRIGANTE, G. P. Bioestimulante Ascophyllum nodosum na cultura do milho. Research, Society and Development, v. 12, n. 2, e21112240072, 2023.
STIRK, W. A.; ARTHUR, G. D.; LOURENS, A. F.; NOVAK, O.; STRNAD, M.; VAN STADEN, J. Changes in cytokinin and auxin concentrations in seawed concentrates When stored at an elevated temperature. Journal of Applied Phycology, Heidelberg, v. 16, p. 31-39, 2004.
SUBRAMANIAN, S., SANGHA, J.S., GRAY, B.A. et al. Extracts of the marine brown macroalga, Ascophyllum nodosum, induce jasmonic acid dependent systemic resistance in Arabidopsis thaliana against Pseudomonas syringae pv. tomato DC3000 and Sclerotinia sclerotiorum . Eur J Plant Pathol 131, 237–248 (2011). https://doi.org/10.1007/s10658-011-9802-6
TARAKHOVSKAY, E. R; MASLOV, Y. I; SHISHOVA, M.F. . Phytohormones in algae. Russian Journal of Plant Physiology. Moscow, v. 54, p. 163-170, 2007.